Tuesday, July 27, 2010

CASAMENTO EM DEZEMBRO - ANITA SHREVE

Excelente romance - 4*.

Numa estalagem no Massachussets, sete antigos colegas de escola reúnem-se para um casamento. Nora, a dona da estalagem, teve de reinventar recentemente a sua vida após a morte do marido. Harrison, que ainda consegue ouvir os ecos de um terrível acontecimento passado vinte e seis anos antes, estabeleceu-se em Toronto com a mulher e os dois filhos. Agnes, que é actualmente professora de História, permanece solteira e anseia contar um segredo que chocaria toda a gente. Bridget, mãe de um rapaz de quinze anos, concordou, apesar da incerteza quanto à sua saúde e futuro, em casar-se com Bill, um antigo namorado do liceu que reencontrou recentemente. Na verdade, é Bill que deseja ardentemente que este casamento se realize e que reúne toda a gente para um surpreendente fim-de-semana de revelações e recriminações, perdão e redenção.»

CHRISTINE - STEPHEN KING

Li a obra Christine de Stephen King. 4*.
Excelente livro sobre um carro, Christine, que está vivo.

Cenário: um subúrbio da classe média, em Pittsburgh.
Época: 1978.
Personagens: Arnie Cunningham, um estudioso e oprimido aluno do último ano do ginásio; Dennis Guilder, seu amigo e protetor ocasional; Leigh Cabot, a aluna recém-chegada ao colégio, conquistada por Arnie... mas também cobiçada por Dennis.
Mais um triângulo amoroso, diria o leitor. Nem tanto. Aqui existe um quarto personagem, a segunda dama, a dama perversa. «Carros são garotas», diz Leigh Cabot, e a força perversa, no novo romance de Stephen King é um Plymouth 1958, chamado Christine.
Christine não é um carro comum. Com sua lataria vermelha e branca, é sobrevivente de uma época em que a gasolina de alta octanagem custava vinte e cinco centavos o galão e os velocímetros eram calibrados para até cento e noventa quilómetros horários... uma época em que o rock and roll dirige a América, com todo o seu brutal poder... uma época em que a velocidade era rei.
Arnie Cunningham está determinado a ter Christine a qualquer preço e, pouco a pouco, Dennis e Leigh começam a suspeitar que o preço dessa crescente obsessão pode ser terrivelmente alto, com resultados tremendamente malignos. Quando Arnie se dedica febrilmente ao trabalho de restaurar Christine, algo que parece impossível, Christine começa a desenvolver uma atemorizante vida própria. Ou será apenas imaginação? Dennis acredita que sim... mas então começam a morrer pessoas, nas escuras ruas suburbanas e estradas de Libertyville... e chega o momento em que Dennis não pode mais negar a espantosa verdade: Christine está viva.»

Sunday, July 25, 2010

Nem tudo começa com um beijo - Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira

Acabei de ler esta obra. 2*.
Estas obras pseudo-metaforizantes com uma componente infantil e imageticamente pobre irritam-me solenemente. É agradável ler esta obra, mas destina-se a quem? É uma obra ou algo feito por medida? Temos o tipo de letra para facilitar a leitura, as imagens, os nomes «Nuvem Maria» e «Fio Maravilha» para os protagonistas. Que irritação!
E depois, como toque final para esta adoração de algo que nem sei bem se é literatura ou se um conto infantilizante e expandido de forma infeliz dirigido a adultos que anseiam por letras de digestão fácil, temos a sinopse:

Nem Tudo Começa com um Beijo apresenta-nos o mundo como sendo uma casa [que original!!!], que tem Cave e Sótão. A Cave são os buracos de esgoto que servem de tecto a Fio Maravilha, tal como a outros meninos que não têm para onde ir [talvez Mumbai, Nova Deli ou Calcutá?]. No Sótão fica a cidade. Nele vivem as pessoas que se cruzam nos elevadores, dizem "bom dia" e "boa tarde" mas não se conhecem. E aqui vive Nuvem Maria [irra, que se está mesmo a ver que é lá que ela vive, pois é uma nuvem...].
Neste cenário tão adverso, Fio Maravilha descobriu a paixão em Nuvem Maria. Mas este era um amor impossível: na Cave, Nuvem Maria não era desejada; no Sótão, Fio Maravilha não tinha futuro. Até que um dia um violento terramoto se abate sobre a cidade, alterando a rotina do seu quotidiano [mas que terramoto tão conveniente!].
E agora a estopada final, ou a legenda para quem ainda não percebeu do que o livro trata após tão aturadas descrições: Esta é uma história de amor entre dois mundos aparentemente inconciliáveis, contada em dois registos, onde as palavras e as imagens dão as mãos na construção da narrativa, e inventam uma nova forma de glorificar o amor.»

LIDO (INFELIZMENTE) EM JULHO DE 2010

Os Abutres - Artur Agostinho

A trama narrativa é excelente, mas reconheço que faltam algumas qualidades narrativas à obra. 3*.

Este livro relata «a parte final da vida de José Luís Marques, da sua família e do seu universo empresarial. O protagonista é um self-made man que trepou a pulso todos os degraus da escala social até criar uma empresa de construção civil prestigiada e próspera. É a história de um homem simples que acaba por se deixar enredar numa aliciante mas perigosa aventura política. À sua volta, os laços de confiança são incertos: para uns, a amizade é um instrumento de poder; para outros, um bem que vale sempre a pena preservar.
A sua família, o seu amigo íntimo e braço direito, Américo Cerqueira, alguns quadros superiores da empresa e alguns correligionários político-partidários compõem a galeria de personagens centrais do romance, um microcosmos através do qual o autor procura representar um certo universo social, cultural e psicológico da sociedade portuguesa na actualidade.»

LIDO EM JULHO DE 2010

AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO de Ana Cristina Silva

Excelente livro. 4*.

As Fogueiras da Inquisição é um romance histórico de grande beleza literária, que se desenrola ao longo do século XVI, uma época profundamente conturbada para sefarditas e cristãos-novos em Portugal. É neste cenário de denúncia e medo, em que as perseguições e os massacres se sucedem e intensificam até culminarem no estabelecimento da Inquisição em terras lusas, a pedido de D. João III, que acompanhamos três gerações de uma família judaica portuguesa, desde o reinado de D. Manuel I à dinastia filipina. Sara de Leão, protagonista e neta desta família, está presa num calabouço exíguo, em Évora, acusada de práticas judaizantes. Para se evadir da penosa situação em que se encontra, Sara refugia-se no passado e recorda a avó, Ester Baltasar, que lhe transmitiu a história e a doutrina do seu povo. Temos assim oportunidade de ficar a conhecer esta extraordinária saga familiar, as suas vicissitudes, a coragem e a solidariedade que as sucessivas gerações revelaram face ao terror que as ameaçava. Num misto ficcional e histórico, que nos leva a encontrar personagens como Damião de Góis ou Beatriz de Luna, conhecida em toda a Europa como «a senhora», esta narrativa prende-nos irremediavelmente nas teias do seu imenso fascínio.»

Wednesday, July 14, 2010

QUANDO A VIDA ESCOLHE

5*.

Um livro espiritualmente esclarecedor, obviamente para quem crê numa evolução dinâmica dentro da existência. Contra a vitimização, orgulho e indiferança como forma de conforto!
Nesta obra, ditada pelo espírito Lucius, constata-se o seguinte:

«O Homem acredita numa grande ilusão: que a vida seja algo separada dele; mas a realidade mostra que cada um é a própria vida se tornando gente.
Portanto, quando você escolhe é a vida escolhendo em você.
A vida jamais erra.
Assim, seja qual for a decisão que você tomar, no fim perceberá que todos os caminhos estavam certos.»

LIDO EM JULHO DE 2010